TREND | Spiritual Design ou The Religious Contemporary Design

A transmutação da luz em energia vital: uma bela metáfora para o Design!

"Penso sempre che i progetti debbano esprimere spiritualità: è una idea costante nella mia vita. Come costante, nonostante il progressivo variare dei miei alfabeti, è l’interesse per le parole invariabili: vita, morte, sentimento, dolore.”
Alessandro Mendini

No Fuorisalone de 2012 visitei a galeria Paola Colombari que apresentava uma curiosa mostra chamada The Religious Contemporary Design, de onde tomo emprestado o título desta apresentação. Ela apresentava diversos objetos e obras de arte de Karim Rashid, David Palterer, Antonio Cagianelli, Pawel Grunert, Luca Sacchetti, Blue and Joy, Maïmouna Patrizia Guerresi e Matteo Peretti. Na ocasião, germinava um mood expositivo com várias teorias que iam desde Feng Shui ao spirituale futurista, e todos os produtos expostos baseavam-se sobre a transcendência do material para transmitir mensagens de natureza animista.

 

No fundo era uma coletiva meditação atravès de produtos concretos sobre as mudanças sociais que estamos enfrentando e sua expansão espiritual através das formas, linguagens e novos códigos imaginativos. Nesse momento um insight acendeu dentro de mim, como uma dúvida: seria a hora do Design Industrial começar realmente a entrar nesta era, mais voltada ao Ser do que o Ter, ou era apenas mais uma daquelas mostras visionárias fadadas a serem lembradas apenas em catálogos e nas mentes de quem as visitou?

A resposta veio este ano, com força total em centenas de projetos, produtos e experiências pela cidade de Milão na ocasião do Fuorisalone 2017. E a tendência projetual que brilhava aos meus olhos jà naquela ocasião ficou clara: vi a consolidação do que podemos chamar de Design Espiritual ou como taguei em meu Instagram #SpiritualDesign.

 

O CONCEITO SPIRITUAL DESIGN EXPLORADO NO PASSADO PELOS SHAKERS


Para trazer ao “mundo real” e não ficarmos no conceitual, são móveis e luminárias que se detém ao conceito filosófico da comunidade Shaker, onde tudo aquilo que è a mais è cosmético e parte de sua função é passageira e temporária e, como tal, atrai o homem para longe da vontade de Deus. A filosofia dos shakers é extremamente democrática e comunitária, e se traduz em interiores e um lifestyle racional, ascético, mas muito real. Seus móveis são o resultado de um projeto espontâneo, quase primitivo; uma resposta às necessidades práticas. E esta è uma fatia de mercado que somente os designers visionários e artistas contemporâneos estào sabendo saciar, mas que tenho certeza de que ano que vem o mainstream do mobiliário e design de interiores vai começar a explorà-la com força e mais propriedade.

Neste nosso novo tempo, que chamo de interregno, o conceito de combinar Naturalia e Artificialia (como foi a cenografia New Spring), Funcionalidade e Essencialidade, o tema da Espiritualidade vem a acrescentar sentido, detalhe esquecido mas fundamental que o Design Industrial perdeu quando começou a vender a sua alma com a massiva - e opressiva - produção em série.

Nosso grande maestro Alessandro Mendini afirmou sobre isto, tempos atrás em uma entrevista que vi na RAI italiana, que esta perda de sentido do design è resultado do “extremo interesse da sofisticada pesquisa sobre materiais e novas tecnologias que, na verdade, esconde uma aridez de fundo: o objetivo tecnológico aqui substitui um verdadeiro approach antropológico e psicológico!” Segundo ele, este è um comportamento grave, perigoso e desviante…os novos materiais e projetos deveriam religar-se a aqueles arcaicos…!!!

E este “objeto arcaico” no sentido literal da palavra (antigo, primitivo) è o que estamos vendo no aspecto formal dos objetos que se enquadram nesta tendência Spiritual Design, desde aquele belìssimo banco de lava da Peugeot em 2015 e os experimentos do duo Formafantasma de 2013. Aqui formas simples e materiais naturais, básicos, se destacam no turbilhão de formas visuais que nos assustam e de certa forma “entopem” nossos sentidos.

Ou ainda pode ser uma experiência, como mostrou muito bem a Foscarini com a sua mostra “Fare Luce”. Esta contou em 6 salas distintas o primeiro encontro com a luz - uma pequena sala toda branca que deixava entrar os raios do sol através de uma tenda - atè chegar aos aspectos arquitetônicos, com uma sala de madeira clara com dezenas de pequenas aberturas circulares. Fechando o percurso em uma mais mística e meditativa, completamente coberta de granito da Sardenha, que contava o dom da luz, filtrando esta de fora com uma fenda a partir do telhado. No final, via-se um arco-íris no quintal, e, aqui, a luz de dois braseiros de mármore tornava-se chama, e, portanto, força e energia. A transmutação da luz em energia vital: uma bela metáfora para o Design!


Foi a mostra que bastava para que eu compreendesse que a ressaca da Era das Imagens chegou no projeto - das luminárias ao mobiliário -  e aqui “less is more” não serà apenas um vício estético e sim, uma necessidade para a nossa mente e alma. Chega de barulho, queremos, tambèm, silêncio no visual!

Projetos/Locais que visitei com este mood no Fuorisalone 2017:


- Mostra “Time Machine” do designer Lee Broom em Ventura Centrale. Destaque ao relógio a pêndulo em marmo bianco di Carrara.
- Cenografia e alguns produtos de “Hermès Home Universe”, com uma cenografia que lembrava os templos sacros da América do sul e México.
- Cenografia e produtos da mostra “Foundation”, da dupla Formafantasma no Spazio Krizia.
- A cenografia de “Slice of Time”, entre metafora e filosofia, de Nendo para Officine Panerai.
- A árvore “New Spring”, de Studio Swine (Azusa Murakami e Alexander Groves), para COS.
- As obras-produto de Fernando Mastrangelo para a grande Rossana Orlandi.
- O produto Miscredenza de Patrizia Urquiola e Federico Pepe vista no Spazio Pontaccio pela técnica, poesia, cores e ao mesmo tempo, simplicidade.
- A linha Marble Matters, com a coleção Voie Lights, da designer Sabine Marcelis que questiona o espaço atravès luzes e cores.
- A coleção Liquefy de Patricia Urquiola para Glas Italia, com decoração desbotada e irregular, que assume a cor e veios de mármore. O efeito de imagem surpreendente torna o veios dinâmicos e variáveis, dependendo do ponto de vista.
- A mostra “Fare Luce” de Foscarini, do designer Giovanni Maria Filindeu, que convidava à uma experiência de imersão, uma viagem emocionante para descobrir a luz.

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