ZEITGEIST | O dark side da Sharing Economy: case Foodora

Na economia onde o risco è sobre quem trabalha, Nòs, consumidores conscientes, devemos sempre nos perguntar: porque este serviço custa pouco?

Nào sou contra a Economia do Compartilhamento, para deixar bem claro desde o inìcio da sua leitura, mas sim, sobre o mau uso que està sendo feito dela nestes tempos. Vejamos um case que ilustra o que està REALMENTE acontecendo no mundo Share, segmento Food.

Li este final de semana uma news que me deixou um tanto perplexa, jà que vivo na capital italiana do compartilhamento por excelència, Milano. Soube que os trabalhadores (ou colaboradores, como vocè acahar mais trendy) de FOODORA (startup de take away online, parte do setor food delivery que aqui vale 400 milhòes de Euros) fizeram uma greve em Torino para trazer à tona a forma como eram tratados e, obviamente, remunerados. De 5,40 Euros começaram a receber 2,70 por hora de trabalho (nào por entrega...), sem nenhuma justificativa e, se nào bastasse, o smartphone, a bicicleta e o casco de proteçào deve ser trazido por eles. E' justo, segundo vocès?

Oras, nota-se claramente que da parte da empresa hà uma exploraçào intensa do capital humano, como vìamos - e nos revoltàvamos - là nos anos 80, no boom da economia fast food. No inìcio acolhida com o entusiamo de uma revoluçào positiva, mas que revelou-se uma das fontes dos mais intensos problemas do capitalismo selvagem que tanto detestamos.

 

Apenas para um refresh, um dos escàndalos mais recentes em China e Japào foi com a Shanghai Husi Food, fornecedora direta de MacDonalds e KFC, administrada pela americana OSI Group que misturava carne pùtrida com carne nova para a fabricaçào de hamburguers. Nào è um caso que, a partir deste e de tantos fatos trabalhistas negativos o mundo fast food tenha começado a entrar em crise e, segundo analistas, esteja andando de encontro ao seu falimento...

um novo jeito de consumir focado no usufruir (serviço) substituindo o paradigma da posse do bem (produto) mas que deve ser feito da forma correta!

Os protestos dos jovens colaboradores de FOODORA era previsto pois jà havia acontecido em Londres e, assim, deve nos fazer refletir sobre a precariedade causada por nòs, consumidores, que pretendemos com um click no smartphone um serviço eficiente por poucos euros e nào nos interrogamos como estas sociedades tào boazinhas e cool conseguem nos levar comida quente à casa em menos de 32 minutos!!!

 

Acordemos! Se nào para a nossa geraçào, para a de nossos filhos. Explico: estamos todos remando de forma inconsciente, ou melhor, um pouco cega, em direçào de um progressivo futuro onde os jovens que estào entrando neste mercado de trabalha nào tem minimas garantias nem uma decente remuneraçào para o serviço que prestam! E è sobre este sistema, feito desta forma em outros setores, que se baseiam as cifras gigantes das sociedades virtuais que nào tem nem dependentes, nem custos fixos e, muitas vezes, nem contribuem ao Estado onde tem seu negòcio principal, orientando-se sobre os paraìsos fiscais.

 

E nòs aqui combatendo o VELHO capitalismo...? Sèrio? Qual deles è pior?

chega de hipocrisia: "share" deve entendido tambèm como "give & receive" de forma social e humana !

Foodora nào è a ùnica no segmento Food, temos o case de Deliveroo, UberEat ou Glovo no mesmo mood. Eles encontraram a equaçào perfeita (para eles), num momento onde o desemprego leva os jovens desesperados por uma remuneraçào a doar seu tempo, sua força mental e fìsica por valores e meios de trabalho diria quase "escravistas", a empresas de cunho privado ao extremo que servem de amortizadores sociais na falta total de um apoio do Estado.

 

Ok, è verdade que a Sharing Economy nào deve ser demonizada totalmente pois hà exemplos virtuosos iniciando e se desenvolvendo, mas nào quer dizer que devemos imaginar que o modelo correto, social e moralmente falando seja este acima descrito, pois nào è. E' urgente uma movimentaçào ou da Sociedade ou do Estado para "ensinar" ou ao menos "acordar" estas sociedades a realizar um justo reequilìbrio entre oferta e demanda de trabalho via APP ou online, como fizeram os jovens de Foodora este final de semana em Torino. Ou ao menos tentaram. 

 

Porquè, deste jeito, me desculpem, mil voltas o velho e enferrujado capitalismo dos anos prè-Internet. Era um horror, mas ao menos nào era tào hipòcrita.

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