trend | Telegram ou o direito ao esquecimento

tecnologia, sim, mas baseada em um comportamento naturalmente humano: o PAVOR DA traciabilidade, um dos tabus contemporàneos, ou melhor, a nossa mais atual obsessào.

Depois de Facebook e WhatsApp, chegou Telegram, um primo de Snapchat. Ele tem a capacidade de compartilhar files de grande dimensòes, estabelecer conversas criptadas end to end, ou seja, nào permanece no server de ninguèm e, uma volta destruìdas, nào podem ser recuperadas. O mais famoso user è Papa Francesco. A coisa interessante è que ela foi criada em 2013 por Nikolai e Pavel Durov, mas apenas hoje està fazendo sucesso. Porquè?

As inovaçòes tecnològicas podem ser canibais ou melhorativas das precedentes, e aqui a conquista verdadeira nào è tanto na privacy mas na destruiçào do passado, que une a vida virtual à real.

O direito ao esquecimento finalmente encontrou a sua sublimaçào nesta app, que està modificando a cultura clàssica: nào hà nada de mais volàtil do que a escritura... E è exatamente esta "memòria curta" que faz com que Telegram comece a virar uma febre e concorrer lado a lado com as demais aplicaçòes famosas. Veremos atè quando Mr.Marck vai resistir à sua aquisiçào... risos.

 

Ela està fazendo um tremendo sucesso pois reuniu a alma pop de FB com a elitària de Twitter, jà que Facebook è o lugar onde mentimos aos amigos e Twitter somos sinceros com os desconhecidos. Aqui, Telegram se estabiliza como um lugar de troca onde, se temos algo muito importante a dizer, nos sentimos ao seguro. O seu segredo è a sua efemeridade: as mensagens trocadas sào dead text walking, com horas e minutos contados.

 

Tudo isso è tecnologia, sim, mas baseada em um comportamento naturalmente humano: a traciabilidade, que è um dos tabus contemporàneos, ou melhor, a mais atual obsessào que desenvolvemos. Oras, no momento em que postamos uma foto ou uma mensagem em Facebook em qualquer maneira, a entregamos para a eternidade, que volta a nos assombrar mesmo quando nào queremos - levante a mào quem tambèm detestou os filminhos "reveja seu ano" no Facebok.

 

Isso nào acontece em Telegram, que è reservada, e muito generosa (grande dica, hellooo) e menos intrigante: as mensagens que trocamos nào podem ser compartilhadas com outros. Sabe aquela conversa tête-à-tête que fazìamos no perìodo juràssico das nossas vidas? Voltou em forma digital... (Tudo retorna...em outras roupagens, regra n.1 da pesquisa e anàlise de tendèncias...) 

As inovaçòes tecnològicas podem ser canibais ou melhorativas das precedentes, e aqui a conquista verdadeira entào nào è tanto na privacy mas na destruiçào do passado, que junta a vida virtual da real. Os homens, navida em carne e osso, nào gostam de estar imersos em recordaçòes, porque geralmente o passado traz consigo dores e arrependimentos, ou coisas maravilhosas que nào estào se repetindo no presente, e assim, vivemos apenas com o que chamamos de memòria seletiva. O social network porèm, nào faz outra coisa que nos recordar o que vivemos.

 

Este fenòmeno è a renùncia definitiva à comunicaçào petrificada e eterna do social network vigente e um chamado ao unir-se à conversaçào do dia-dia: na nossa vida, quando fazemos escolhas, temos a necessidade de nos sentirmos sozinhos, enquanto que o social network nos coloca no centro das nossas escolhas, geralmente com uma platèia de observadores que na maior parte dos casos nem nos agrada. E' o olho que tudo vè e tudo julga...

 

A vida è bela justamente porque podemos, todos os dias, reinicià-la, repensando conceitos, idèias, formas de vida. E atè a nossa fè. Assim, porquè termos um registro perene, quase que "esculpido" sobre a "pedra do social"?

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Comments: 3
  • #1

    Luca Ribeiro (Monday, 22 February 2016 12:19)

    Oi Fah, teus posts vào da comida atè a tecnologia, sempre trazendo infos e questionamentos super interessantes. OBRIGADA, virou minha visita diària.

  • #2

    Carolina (Monday, 22 February 2016 12:26)

    Fah! O Luca compartilhou seu post no nosso grupo e fiquei babando na sua història e qualidade de posts. Sou antropóloga, mas acabei há pouco minha formação com um doutorado em Psicologia nos USA. Você deveria escrever sobre tendências e comportamento em algum jornal de São Paulo, porque a qualidade deste tipo de jornalismo aqui no Brasil està de mal a pior viu? Vamos fazer campanha prà você... beijos.

  • #3

    Fah Maioli (Monday, 22 February 2016 12:28)

    Caros Luca e Carolina, obrigada pelo apreço e valorizaçào do conteùdo. Passem sempre, o espaço è para vocès! Abraços ;)

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