trend | O fim dos hipermercados?

Acabei de chegar de um giro ràpido no hipermercado perto do escritòrio e fiquei chocada: penso que 60% das lojas foram fechadas. Pesquisando, descobri que è uma onda que està percorrendo toda a Itàlia. O que està acontecendo?

Meu mercado preferido quando estou na França: NATURALIA.
Meu mercado preferido quando estou na França: NATURALIA.

Ok, a crise fez a sua parte com as lojas dos shoppings, mas como explicar o insucesso de uma grande cadeia como esta, jà que, conhecendo bem os produtos como consumidora sei que nào lhes falta nem qualidade, nem preços atrativos? 

 

Parece que a seduçào dos grandes supermercados, onde nos perdemos entre gòndolas e centenas de tipos de arroz arbòrio, està chegando ao fim por aqui e por muitos outros paìses, como vocè pode ler neste artigo interessante de Kellog Insight. Anos atràs, foram eles que acabaram com os negòcios do bairro, as pequenas vendas de fruta, verdura, carnes e pàes se vocè lembrar. A desculpa deles è que a compra online è uma grande concorrente, mas nào acredito tanto, pois se assim fosse, o retorno daquele mercadinho simplòrio mas com muita qualidade - que eles fecharam quando se instalaram nas periferias das cidades italianas - nào estaria tào grande. Todos os dias abrem pequenas lojas de venda de produtos naturais, preferencialmente bio e similares, aqui em Milano e na periferia, por exemplo.

Aqui, hà uns 40 anos, os Iper e Super revolucionaram os hàbitos dos italianos que nào suportavam a sorte de ficar nas pequenas provìncias. Para estas gentes, era muito "fastidioso" ter que depender das botteghe muitas vezes centenàrias. Locais de encontro e de conversa, com aquelas vitrines de lamber os beiços sò de olhar, com aqueles interiores com perfume de frito, de pào recèm feito, de queijo de cabra, de mortadela recèm fatiada...Isso era fora de moda.

Seus desejos foram atendidos e chegaram aqueles grandes galpòes com luz neon e interiores de sauna no inverno e frezeer no verào: dentro do conceito de "nào lugar" de Marc Augè.  De um anonimato nunca visto: como pode a bancarella de pomodorini sardi ser igual ao de um pomodoro napolitano? Eles foram atè hoje um grande sucesso, pois Super e Iper aqui se tornaram na verdade o grande àlibi da especulaçào imobiliària que enterrou no cimento literalmente as campagne (àrea rural) asfixiadas das cidades novas...

No seu entorno, vemos hoje os grandes edifìcios - na maior parte horrendos - filhos de um boom econòmico pòs guerra, onde os dias parecem nào passar. Sem contar que, para acessar estes locais, geralmente ao lado da auto-estrada, è preciso usar o carro: a pè, os acessos sào perigosos e muitas vezes, impossìveis. Em resumo: locais que nasceram para o pùblico de uma època de vacas gordas, onde os valores eram diversos dos atuais e os mitos da velocidade (saiba mais sobre isso aqui) regiam o consumo.

 

A causa de seu desmantelamento por aqui, e pelo visto em todas as partes do mundo ocidental que reconhece que Fast Is Finished, ocorre paralelamente à retomada de valores essenciais, como o km zero, slow food, da minha necessidade de consumir produtos que sei onde sào produzidos, de querer conversar com o macellaio (açougueiro) que cuidou, criou, matou e desossou a galinha que vou colocar no meu prato.  Eu quero ter contato real com a comida, sua origem, conhecè-la. Por acaso quando vocè vai no Carrefour gigante do outro lado da estrada do seu bairro isso acontece? Creio que nào.

 

Em tempos de personalizaçào do hàbito de alimentar-se, os hiper mega super da vida nào dizem mais nada a ninguèm. E assim mais um mito do mundo fast cai por terra.

No outro lado do nosso mundo, os EUA jà estào agindo na transformaçào destes bunkers do consumismo em espaços culturais. De Los Angeles a Roma as estruturas que pareciam eternas estào se tornando - vejam que ironia - extremamente fora de moda. Quem diria?

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