David Bowie: obra de arte total

Ele foi o primeiro a intuir que o tempo de uma cançào - 3 minutos - poderia ser o suporte de um filme breve e entào foi ele que inventou o clip. Sem David Bowie, a MTV nào teria existido... 

Nào sei vocès mas eu estou sentindo uma nostalgia incrìvel com a morte de David Bowie. Sua mùsica embalou meus sonhos quando adolescente e com o filme Labyrinth ele se tornou uma espècie de ideal estètico masculino que persegui durante muitos anos sem encontrar, claro. Risos. Suas performances e melodias eram uma mensagem potente, mas para ele, apenas um suporte de sua arte. Ele sempre soube que, para que ela se tornasse "A Mùsica", era necessàrio que a estrela desaparecesse, e que ele se tornasse uma tela em branco (e daqui vem o apelido Duca Bianco) sobre o qual ele projetava uma identidade sempre diferente, camaleònica. Podia ser um alien, um andrògino, um macho glacial e elegante, um gentleman retrò.

 

Aliàs, o que era a sua ambiguidade? Uma das caracterìsticas mais evidentes de Bowie. Do ponto de vista fìsico, era evidente e ficava difìcil imaginar uma distància maior do que aquela que separava a sua beleza andrògina e cool do machismo do estilo Elvis que era o modello dominante atè aquele momento. O interessante, e que estava a anos luz (ainda estamos aqui a vociferar sobre isso...) era que esta sua opçào dupla nào se limitava ao gender: se extendia aos gèneros musicais e atè a identidade racial.

 

A sua voz nào era uma grande coisa, convenhamos. Sexy sim, mas musicalmente falando...mesmo assim, a sua extensào era interessante e quando ele cantava a gola aberta sempre foi muito melhor na minha opiniào do do que Mick Jagger, Rod Stewart, Phil Collins. O que nos fez apaixonar, penso, foi a sua camaleònica forma de mostrà-la. Muito sexy, convenhamos.

 

Cada àlbum era um universo, nào harmonicamente, nào no estilo de canto e muitas vezes nem nos textos (exceto Absolute Beginners mas è porque a adoro!), mas porque Bowie foi un transformista naquilo que os americanos chamam de texture (arranjos). Neste terreno ele foi de uma vanguarda atè agora inimitada, encontrando modos novos para usar a eletrònica e experimentaçòes muito difìceis, que ao passar pelas suas màos se tornavam sedutoras para o consumo de massa.

 

E o que falar de seus shows? Eram espetàculos extraordinàrios, e ele foi o primeiro a concebè-los assim, nào mais como ritos antropològicos de uma religiào sem transcendència celebrada de estrela/sacerdotes. Estòrias fantasmagòricas eram contadas, efeitos surpreendentes que se apoiavam tenuemente a uma trilha sonora. Sempre com figurinos haute couture e makeups que criaram tendèncias que atè hoje utilizamos. Um ìcone perene em um corpo em perene transformaçào.

 

Estamos òrfàos, nòs que tivemos a adolescència vivida com suas mùsicas, mas o fato interessante è que muitas pessoas da geraçào mais recente tambèm estào se sentindo um pouco vazios musicalmente neste momento. Talvez porque muito do que està rodando por aì agora, em um flash de notas musicais vazias e em sequèncias absurdas, sem nenhuma mètrica criativa, nào deixe  sedimentaçào interna emocional como acontecia com ele. Vocè nào consegue ouvir Bowie sem sentir algum tipo de emoçào. E esse buraco negro, esta ausència de som emocional com performance cheia de conteùdo, que David Bowie sabia como ninguèm oferecer, dentro de uma arte totalmente efemèra, è para onde acabamos de voltar.

 

Se alguèm souber de algo similar a ele, por favor me informe. I'm hunger.

 

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