macrotrend | o desejo comportamental pela essencialidade

“Precisamos (nós, os designers) certamente contribuir para que todo o mundo viva uma bela vida. Aqui em Milão tem tanto design, mas a pergunta è: o design pode nutrir o mundo? Nào, ele nào salvará vidas. Mas pode ajudar a conduzir uma vida melhor.” Philippe Starck, Abril de 2015.

Mais uma vez vamos falar de crise, você vai dizer. Pois è, eu tambèm sinto muito mas ela continua, firme e forte, infelizmente. Ela, que nào è apenas financeira e sim moral - basta acessarmos os jornais de todo o mundo diariamente - mudou notavelmente os desejos e necessidades da sociedade na qual vivemos. E no seu lado positivo isso è um bem: agora as pessoas nào estão mais se concentrando sobre a pesquisa e exibição de luxo mas estão se voltando à uma maior e mais concreta essencialidade e racionalidade. O design, que è quem concretiza o Zeitgeist (mood cultural do momento) acompanha este humor e começa então a deixar de lado as decorações pesadas em favor de linhas geométricas, mais sutis e elegantes que garantem resultados mais prazerosos justamente em função de sua sobriedade e regularidade. Aliás sobriedade è uma palavra que estamos ouvindo bastante por aqui e acho que no Brasil tambèm, principalmente na política, nào è mesmo?

Este retorno da essencialidade, que tambèm è o que buscamos no nosso consumo diário - basta analisarmos os movimentos gastronômicos atuais - no mobiliário e interiores se trata de uma recusa ao excesso que està sendo considerado um elemento de distúrbio da simplicidade das formas. Que nào vai declinar-se em uma espécie de novo minimalismo, que fique bem claro, pois este, que è ligado com suas arquiteturas retilíneas geladas ao luxo, resultam hoje frias, implacáveis, punitivas e esnobes. Traduzindo, em tempos de sacrifícios forçados, a austeridade formal que o minimalismo prega aparece como uma penitência a mais, de gosto amargo e masoquista, pois muito vinculada psicologicamente aos tempos de “vacas gordas” que nào são mais possíveis. E neste panorama comportamental, a subtração, a limpeza, o aspecto clean dos interiores das casas torna-se fonte de infelicidade. Em resumo: queremos calor, cor, formas preciosas e muito afeto, o que a IKEA entendeu muito bem e vem aplicando em seu portfòlio - e na sua comunicação - hà muito tempo, como vimos recentemente no blog (http://wp.me/p4ikpl-1s2)

O que o Design ganha com isso? Tudo. E’ o momento vencedor para a personalização, a combinação, a contaminação, sempre audazes, que irritam profundamente os puristas do minimalismo. Porque estes conceitos, quando aplicados ao Design, aquecem nossas almas, e nos fazem sentir talvez um pouco menos perfeitos mas mais felizes, menos sozinhos. Este mood tem como motto a frase do designer iraniano India Mahdavi quando comentou que “precisaríamos habitar e mobiliar em base a como somos”, recuperando os tào saudáveis conceitos de identidade e funcionalidade, corrompidos e modificados pela indústria dos anos 60, quando tivemos o segundo boom de industrialização por aqui e de onde surgiram muitos modelos nada sustentáveis de projeto e de estratégia produtiva e comercial.

A casa como um troféu para exibir e então uma espécie de carimbo social de que você deu certo na vida nào tem mais nenhum valor nestes tempos. A verdadeira opulência e riqueza nào vem mais do móvel de grife mas sim da própria expressão pessoal que cumpre então a coragem de ser único, apesar e além das tendências daqui e dali. Porque ter gosto significa possuir regras de bom gosto e nào coisas, bens ou objetos. E aqui a sua imaginação voa livre, sem amarras, contando apenas com aquilo que você realmente gosta e acredita que tenha a ver com sua vida, sua família e o seu gosto. Aqui o découpage, o trompe-l’oeil, a natureza, os objetos de coleção e com histórias antigas para contar começam a emergir depois de décadas de ostracismo. Voltamos a querer preservar a pàtina do tempo porque a verdadeira riqueza è o fascínio da nossa idade e a estória da nossa vida familiar.

Especificamente para este ano e os que virào vejo a força da nova tendência que aponta a revisitar as origens do design transformando-o com novas formas e funções e desfrutando a tecnologia e os meios informáticos que constituem um suporte constante neste campo e nas nossas vidas. A outra tendência consiste no confiar à tecnologia para realizar objetos com um design inteligente que garanta uma resposta mais imediata aos desejos e as necessidades do público.

Aqui continuaremos com a busca das tradições e das raízes de forma sempre mais e mais globalizada jà que sentimos que è no passado - da nossa história pessoal principalmente - que existem respostas para enfrentar este presente caótico. E além do mais, beber na própria fonte de recordações nos distingue da massa e se torna uma nova espécie de marca pessoal. Isso se concretiza no mundo com o aumento da pesquisa e aplicação de elementos de antiquários - novas lojas de mobiliário vintage aqui em Milão surgem a cada mês por exemplo - de manufatura artesanal ou ainda característicos de regiões e países exóticos ou longínquos. O ambiente domestico resultante è um macrocosmo sustentável com chamada as tradições.

Nas formas veremos volumes “esvaziados”, justamente para dar o sentido ao conceito de essencialidade e aliviados com contornos de linhas simples enquanto as superfícies vem tratadas com texturas geométricas para conferir um maior caráter.

Neste cenário os materiais originam-se do mundo vegetal e natural assim como as cores, que começam a invadir nossos ambientes com as tonalidades de verde, cinza claro, turquesa e suas declinações, rosa, marrons e o novo amarelo. Nos materiais as apostas sào em origens naturais mas tradicionais como là, couro, madeira, bambù e aplicação de trabalho manual mesmo que seja sò em detalhes. Um design atento à tradição, aos usos e costumes, à medida natural do homem.

Um 2016 que finalmente começa a concretizar de forma mais “pè no chão” tudo que estamos falando hà tempos por aqui, ou seja, a sustentabilidade, a harmonia e a recuperação dos reais valores da vida. Sò com estas novas direções o Design poderá seguir para renovar-se e reinventar-se nos próximos anos!

STUDIO FAH MAIOLI - Milan & Antibes

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