macrotrend | Alchimia

Se o alchimista nos tempos antigos dedicou a sua vida à transformação dos materiais, do ordinário ao mais precioso, a pergunta que faço aos designers hoje è: se o projetista è o novo alchimista, que coisa pode ser projetada aplicando o processo de trasmutaçào?

“Oooo…os Alquimistas estão chegando”, jà dizia a música de Jorge Ben Jor, lembram? Brincadeira musical à parte, esta è a grande macrotendência em voga para o Design, cujos sinais estão no ar jà hà algum tempo e que de quebra, jà foi um famoso movimento no Design mundial. Mas, na atualidade, onde estão os sinais de seu retorno no mundo concreto dos objetos?


O primeiro sinal que senti e que tive a oportunidade visitar foi em 2013 na mostra "Rudolf Steiner. L'alchimia del quotidiano", nome a qual tomo emprestado para o nosso ebook e este capítulo, que foi uma grande retrospectiva de arte, design e arquitetura idealizada pelo Vitra Design Museum, com curadoria de Mateo Kries. Rudolf Steiner (1861-1925), foi um dos mais influentes pensadores do século XX e fundador do movimento antroposòfico, cujo pensamento influenciou trasversalmente todas as disciplinas da cultura contemporânea, inspirando o trabalho de artistas do calibre de Piet Mondrian, Wassily Kandinsky e Joseph Beuys

Steiner ensinava a necessidade de harmonia entre homem e natureza, declinando esta no campo tanto da agricultura orgânica como no design. Se hoje desenhamos ou temos apreço por objetos de forma antropomorfa (formas humanas ou de animais) è por sua causa, sabiam?

O sinal mais recente foi no último Fuorisalone com duas mostras visionárias, cujo nome acreditem, nào foi uma mera coincidência: a primeira foi “Alchemy: Material Obsessions”, no showroom da trendsetter Vivienne Westwood e a segunda foi a “The Alchemists” na Triennale di Milano com curadoria de Stefano Casciani. Na de Vivienene vimos uma seleçào incrìvel dos trabalhos da London Metropolitan University’s CASS Faculty of Art, Architecture & Design onde o destaque foi para a cadeira no estilo Windsor de William Warren. Projetada de forma a ser produzida com apenas uma folha de compensado de 30mm, tornando quem adquire o verdadeiro maker e autor final do produto. Com o tema alchimia de forma mais incisiva gostei do projeto do espelho da Tiipoi 6 Collection em bronze.

Jà a realizada na Triennale, cujo vídeo pode ser visto aqui foi produzida por Yoichi Nakamuta com cenografia de Tim Power Architects e estiveram expondo 15 talentos de Singapura. Aqui, toda a magia do design foi explorada com o fio condutor da alchimia propriamente dita: uma seleção de instrumentos e objetos inspirados no processo alquìmico, que dizia transformar substâncias como o chumbo em ouro. O título tambèm teve como escopo sublinhar aquele elemento mágico que existe no ato de desenhar ou de criar alguma coisa...

*MOVIMENTO ALCHIMIA


Estúdio artistico fundado nel 1976 a Milano da Adriana e Alessandro Guerriero, o movimento italiano Alchimia nào è apenas uma marca e sim o símbolo mais polêmico do design europeu depois de Memphis, e que foi um dos grandes incentivos para a indústria moveleira italiana da década de 80-90. Alchimia foi o exemplo de ruptura com o passado e de visão nova para o futuro. Iniciou a sua atividade produzindo os seus objetos de forma artesanal, antecipando o que vemos hoje com os makers, ousando em tudo: foram eles por exemplo que introduziram no mobiliário os coloridos laminados plásticos que à época eram detestados pelo público acostumado com o toque macio da madeira. Foram o primeiro exemplo de “projetistas produtores” e dele participaram Ettore Sottsass, Alessandro Mendini, Michele De Lucchi, Franco Raggi, Paola Navone, Daniela Puppa e Lapo Binazzi. Para eles, os objetos projetados nào deveriam ser necessariamente úteis e aqui memòria e tradição eram revisitadas em modo sempre provocativo. Em 1978 eles apresentaram a famosa coleçào Bau-Haus uno, em a 1980 Bau-Haus due, e deles sào tambèm os icònicos Mobile infinito (1981), a poltrona Proust (1980), o Letto di fiori (1981), a Casa di Giulietta (1982), o Letto d'incubo (1982), a Stanza Filosofica (1982) e Cerambice (1984) e a cadeira feita poesia Redesign Thonet de Alessandro Mendini, de 1979.

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