zeitgeist | Consumir para viver ou para morrer?

Zygmunt Bauman, um grande pensador contemporâneo, nasceu na Polônia em 1925 e atualmente, vive na Inglaterra. Professor emérito de sociologia da Universidade de Leeds, Bauman propòs o conceito de “modernidade líquida” que abordamos tantas vezes por aqui e nos nossos ebooks, para definir o presente, em vez do já batido termo “pós-modernidade”, que, segundo ele, virou mais um qualificativo ideológico.


Modernidade Lìquida? 

Bauman define modernidade líquida como um momento em que a sociabilidade humana experimenta uma transformação enorme: temos a metamorfose do cidadão em indivíduo em busca de afirmação no espaço social; a passagem de estruturas de solidariedade coletiva para as de disputa e competição; o enfraquecimento dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, gerando um permanente ambiente de incerteza; a colocação da responsabilidade por eventuais fracassos no plano individual; o fim da perspectiva do planejamento a longo prazo; e o divórcio e a iminente apartação total entre poder e política.


Sociedade de Consumo

Seus estudos focalizam muito no que entendemos por “sociedade de consumo”, ou a “sociedade do shopping”. No próprio ato de comprar, explica Bauman, nós estamos querendo atingir uma promessa de vida mais feliz. De acordo com os ditames desta economia, somos levados cada vez mais a desejar novos bens e a querer consumir por uma questão de realizaçào do sonho de felicidade. Neste sentido, nós permitimos que nossa razão de ser no mundo seja identificada com o ato de consumir.

Consumimos, entào existimos.


Mas, aonde vai nos levar este comportamento? Zygmunt Bauman afirmou que obviamente o homem, sendo consumidor da riqueza do mundo que habita é tambèm responsável pelo consumo dos recursos do planeta e, mesmo que até agora tenhamos milhares de propostas de usá-los de uma forma mais saudável e sustentável, este continua a ser um grande paradigma. Na lògica atual, o crescimento do PIB, que resulta deste comportamento, è um dos únicos parâmetros do progresso dos governos e da evoluçào dos cidadàos. Nào està certo e nào deveria ser assim!


Ele afirma que este progresso é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de evoluçào positiva, de corrermos para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para nos mantermos na corrida! Você ouve atentamente as “informações” da mìdia que deve jogar fora os casacos que estiveram muito em voga no ano passado e que agora, se você os vestir, parecerá um perdedor. Ou você recebe a ordem de que usar coletes da cor amarela deve ser o must da temporada. E obedecemos, como se nossas mentes fossem “manipuladas”. Fossem?


Nesta sociedade o truque é virar surfista: è manter o ritmo com as ondas. Se não quiser afundar, mantenha-se surfando – e isso significa mudar o guarda-roupa, o mobiliário, o papel de parede, o olhar, os hábitos, em suma, você mesmo, quantas vezes puder. Esta ênfase em eliminar as coisas – abandonando-as, livrando-se delas –, mais que sua apropriação, ajusta-se bem à lógica de uma economia orientada para o consumidor.


Ter pessoas que se fixem em roupas, computadores, móveis ou cosméticos de ontem aqui è desastroso para a economia, cuja principal preocupação, e cuja condição sine qua non de sobrevivência, é uma rápida aceleração de produtos comprados e vendidos, em que a rápida eliminação dos resíduos se tornou a vanguarda da indústria.

Write a comment

Comments: 0

STUDIO FAH MAIOLI - Milan & Antibes

MAIL | contact@fahmaioli.com

INSTA | fahmaioli

FACE | fahmaioli

LINKEDIN | fahmaioli

PINTEREST | fahmaioli