zeitgeist | Quando o mood social influencia o Design

Em algum momento de sua existência, você irà a uma concessionária (ou loja de mobiliário) para analisar a compra de um carro (ou de um dormitório). E quase certamente, enquanto você está motivado pelo preço e características, irà querer algo que tenha um “estilo” que se aproxime do seu mundo pessoal. Mas jà se perguntou o que o impulsiona para esta forma, cor, modelo especifico?


Carros, assim como mobiliário, refletem o Zeitgeist (espírito de sua época), e vou explicar porquê.


Esta relação nào è uma novidade, tendo um de seus primeiros ensaios, o ”Cultura Popular e o Mercado de Ações”, publicado jà em 1985 por Robert Prechter. Nele, o pesquisador observou correlações entre movimentos importantes no mercado de ações e tendências culturais, como música, filmes, moda, política, design e styling dos automóveis. A causa de mudanças era a mesma: um humor inconsciente social compartilhado, que oscila naturalmente e inevitavelmente entre os pólos de otimismo e pessimismo. Estes “surtos” influenciam o mercado de ações, a economia como um todo, e entào, o Design.


A Socioeconomia não consegue prever tudo, mas oferece uma excelente perspectiva, atravès da análise de muitos tipos de tendências sociais junto do comportamento humano. Ela consegue quantificar e antecipar alguns insights preciosos, por exemplo, quando o humor social começa a aumentar – sinalizado pelo avanço do mercado de ações a partir de uma significativa baixa – as modas se tornam mais coloridas, e estrutura e tradição começam a dominar a arte popular.


A idéia de que os ciclos da história não são aleatórios -  mas tampouco controláveis – sempre nos è controversa, mas começamos a verificar, atravès de análises matemáticas e comportamentais, que è exatamente assim que o mundo funciona. E quem explica isso com muita propriedade atualmente è a Socioeconomia (socio-economics ou social economics): uma Ciência Social, alternativa à Economia Clássica, que estuda como a atividade econòmica afeta e è tocada pelo progresso social. Em geral ela analisa como as sociedades progridem ou porque nào, e como seu território influencia este fenômeno, dentro de uma visão econômica local, regional e global.

Quando o humor social começa a cair, as cores se tornam tènues e as expressòes “anti-moda” começam a aparecer. E quando ele atinge seu ponto mais baixo, cores cinzas e estilos conservadores dominam a moda, a pop arte volta com força, mas de forma meio gótico dark.


Parece óbvio, mas algumas indústrias nem sequer imaginam que exista esta relação ou acreditam que seja mais um “papo” de coolhunter…Mas confesso a vocês que funciona e estes mesmos impulsos influenciam a indústria. Faça o teste: como anda a Economia no Brasil? As bolsas estão negativas ou positivas? E então observe ao seu redor, neste momento, o que está acontecendo na Arte de sua cidade, estado ou país. Como está a moda…? Amarela ou Cinza? As formas estão retas ou redondas…?

Fizemos um exercício, de minha metodologia, no nosso curso de Coolhunting este ano no Brasil, que determinou bem esta relação: em um grupo de trabalho de mais de 20 profissionais, começamos a colecionar inputs do mundo e do Brasil e a categorizà-las em moodboards.


O primeiro mood que saiu visualmente denominanos de “Chaos”: as cores eram cinzas, os tecidos metálicos, as formas abruptas no Design, e etc… E nem estávamos falando sobre Economia brasileira ainda! Onde isso se utiliza? No setor de desenvolvimento de produtos de sua indústria moveleira! Cada empresa deve realizar 7-10 moodboards no inìcio do ano, para (1) orientar visualmente seus designers sobre qual o clima cultural em açào neste momento (2) inspirar os designers a seguirem no fluxo certeiro.


Uma moodboard destas nào è para produto e sim, para inspirar projetos de produto. Vamos?

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